Bali

A Indonésia é um país localizado no sul da Ásia. Formado por 13.667 ilhas é o maior arquipélago do mundo

por fábio arruda

A Indonésia é um país localizado no sul da Ásia. Formado por 13.667 ilhas é o maior arquipélago do mundo. Suas ilhas vulcânicas são um prolongamento da cadeia do Himalaia dentro do mar, formando um paraíso tropical e exótico entre os oceanos Índico e Pacífico.

Dentre sua ilhas destacam-se Bornéu, Java, Lombok, Sumatra, Komodo e Bali. Diz a lenda que os deuses Brahma, Siva e Vishnu, da trindade hindu, se refugiaram em Bali e resistiram na pequena ilha após terem sido perseguidos pela fúria do islamismo que dominou as 13.666 ilhas do arquipélago.

O fato de Bali ser a única ilha hinduísta da Indonésia a tornou diferente e especial. Os deuses estão presentes nos 22 mil templos existentes em toda sua extensão, aproximadamente 5000 km², é uma ilha essencialmente mística.

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Tudo é muito curioso, os templos, os rituais e as oferendas aos deuses estão por todos os lados da ilha. Nas ruas mais movimentadas as oferendas ficam pelas calçadas e temos que andar com cuidado para não pisar nas graciosas cestinhas de palha com incensos, arroz e flores, colocadas ali como proteção dos maus espíritos, são centenas delas.

Para entrar em alguns templos, como o de Uluwatu, é preciso estar devidamente vestido com um tipo de saia, inclusive os homens, se você não tiver uma em sua mochila não se preocupe, os balineses se encarregam de lhe emprestar e ainda lhe ajudam a vestir o sarong, nome dado a esse tipo de vestimenta.

Os rituais balineses são momentos mágicos e intrigantes para nós ocidentais. Crianças aprendendo o milenar legong, dança típica em que as mulheres fazem movimentos hipnóticos com as mãos e com a cabeça, ou a cremação dos mortos produzem imagens que encantam e nos chocam.

É impressionante ver como eles lidam com a morte. Tive a oportunidade de andando pela ilha, me deparar com uma cerimônia em que as crianças brincam correndo pela varanda enquanto alguns homens preparam o corpo do morto com banhos de ervas comandados por uma espécie de pastor que fica ao megafone falando palavras sagradas, do lado de fora da casa, músicos vestidos com roupas coloridas tocam como em uma grande festa.

As mulheres trazem as oferendas para a família que ficará dentro de casa orando pelo espírito que vagará pelos próximos 30 dias. Após a cerimônia de preparação, o corpo é levado, em uma espécie de maca ornamentada com flores, para a praia onde será queimado em uma estrutura já preparada para o grande ritual.

Na crença dos balineses quando um homem morre torna-se livre e feliz. A morte é uma ocasião para festas e comemorações.

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A população é muito simpática e está sempre de bom humor. Esse estado de espírito é facilmente percebido no trânsito das maiores cidades. É uma loucura, são centenas de motos nas ruas, além dos carros, vans, caminhões, pessoas, cachorros e galinhas. O interessante é que não se vê discussão, todos os veículos, pessoas e animais ocupam as ruas e calçadas em uma espécie de caos organizado. A impressão que se tem é que ninguém reclama de um avanço de preferencial, por exemplo, por que irá fazer o mesmo um pouco mais à frente. Se for dirigir prepare-se para enfiar a mão na buzina e se meter por todos os lados das ruas, não fique esperando sua vez de passar, pois ela não virá.

Além do lado místico, outro grande atrativo de Bali são suas belezas naturais. Um paraíso tropical com praias belíssimas. A maior parte do litoral da ilha são de areias pretas e pedras devido à origem vulcânica, porém no sul as areias são brancas e a água transparente com grande variedade de corais ótimo para mergulho com snorkel.

Na época de maio a setembro as praias ficam lotadas de surfistas que vêem em busca das melhores e mais perigosas ondas do planeta, nos outros períodos a ilha fica mais vazia e se torna mais fácil negociar nas pousadas e restaurantes.

Após conhecer as praias do sul, próximas ao aeroporto, alugue um carro e procure ir para as montanhas em busca das cachoeiras como a de Gitgit e a Blamantung, os lagos que se formaram nas crateras dos vulcões como o Lago Batur e as dezenas de plantações de arroz que formam grandes degraus verdes com seus catadores de chapéus coloridos.

Nessas regiões há pouco turismo e menos interferência externa, portanto nos proporciona uma maior vivência dos hábitos e da cultura nativa.

Porém os deuses não estão conseguindo proteger Bali dos turistas, é um misto de paraíso tropical e de decadência. Belezas naturais, cultura, religiosidade e uma realidade chocante: o turismo predatório.

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Kuta Beach é o centro turístico de Bali, aeroporto, lojas, restaurantes, hotéis e grandes resorts. O comércio é enorme, oferecem de tudo, de carro para locação a prostitutas, passando por roupas, artesanatos, hotéis é uma loucura, não se tem sossego, aparentemente é uma decepção em grande escala. Foi nessa região, em 12 de outubro de 2002, que terroristas explodiram uma bomba em uma casa noturna matando vários estrangeiros, inclusive dois brasileiros. Nada disso combina com a magia de Bali.

A melhor opção é mesmo alugar um carro e viajar pela interior ilha em busca da verdadeira cultura balinesa, na esperança de ir encontrando lugares que o turismo ainda não encontrou.

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QUANDO IR:

Bali fica no mesmo paralelo do nordeste brasileiro, proporciona viagem o ano inteiro, no período de maio a setembro entram as ondas.

ONDE FICAR:

Existem varias opções de hospedagem em Bali, para todos os gostos e padrões. Na baixa estação você pode ir escolhendo a hospedagem à medida que roda a ilha.

DINHEIRO…

A Rúpia, moeda da Indonésia, é muito desvalorizada. É muito barato viajar pela Indonésia, na baixa estação, período em que não tem onda para o surf, é mais barato ainda. Para se ter uma idéia é possível hospedagem em quarto individual, de frente ao mar e com café da manhã simples por 20 mil rúpias, menos de três dólares.

FIQUE ATENTO !

Uma aventura em busca de si mesmo…

Esse texto é o resultado da minha maior viagem. Com uma pequena mochila, grandes anseios e receios, viajei pelo sudeste asiático procurando me conhecer, convivi com povos e culturas surpreendentes, superei desafios, medos e senti a alegria de saber que somos capazes de realizar nossos sonhos.

Bali surgiu como a realização de um sonho, porém o impacto inicial foi horrível, ver aquele paraíso tão agredido pelo turismo é triste, me faz pensar nos verdadeiros benefícios do turismo de massa.

Viaje buscando maneiras de se conhecer, aprender, ensinar e tentar ser uma pessoa melhor. Aventura é algo pessoal, para uns é subir o Monte Everest, para outros é ir ao cinema. Estabeleça as suas e viva-as sem medo.

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Fábio Arruda
Documentarista, ambientalista e professor. Autodidata, especialista em fotografia ambiental, viajou por mais de 750 cidades em 15 países de todos os continentes.

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