Camboja

Localizado no sudeste Asiático, com uma área territorial de 181.035 km², um pouco maior que o Ceará e 90% da população budista, o Camboja vive um momento especial, a verdadeira busca pela Paz.

por fábio arruda

Localizado no sudeste Asiático, com uma área territorial de 181.035 km², um pouco maior que o Ceará e 90% da população budista, o Camboja vive um momento especial, a verdadeira busca pela Paz.

Como se não bastasse uma história repleta de invasões (Tailandeses no século 15, franceses no século 19, os japoneses na segunda grande guerra e os americanos na guerra do Vietnã, em 1969) o Camboja sofreu ainda uma guerra civil que durou 20 anos e alternou no poder um reinado e um grupo de oposição comandado pelo ditador Pol Pot, o Khmer Vermelho. Foi o mais cruel genocídio do século, maior até do que a barbárie dos nazistas contra os judeus na segunda guerra.

Camboja (2)

Usando o nome do antigo império que comandou toda a região desde o século 9, o Khmer Vermelho foi responsável pela morte de um milhão de cambojanos e o desaparecimento de mais um milhão e meio. Quando Pol Pot deixou o poder em 1979, existiam duzentos mil órfãos, cem mil inválidos e todos os hospitais destruídos, pois o Khmer Vermelho detestava gastar tempo e dinheiro cuidando de feridos. Somando mais um milhão de desaparecidos durante o ataque americano, o país teve 30% da sua população exterminada em menos de 10 anos.

Camboja (6)

O Camboja é um país miserável, considerado o mendigo do mundo, em 25 anos perdeu metade de sua floresta, principalmente por causa dos americanos que jogaram mais bombas em seu território que no seu vizinho, o Vietnã. Estima-se que há de 4 a 8 milhões de minas ainda enterradas. Ao lado de Moçambique, Afeganistão e Angola é considerado o solo mais traiçoeiro do mundo. Um em cada 236 cambojanos já teve alguma parte do corpo amputada por causa das explosões de minas.

Apesar de na década de 90 ter ocorrido casos de turistas estrangeiros seqüestrados por guerrilheiros, o Camboja passa por um novo período de interesse mundial e de abertura. A população, literalmente marcada pelo passado, busca no turismo, em dólar, uma solução para a pobreza. O responsável por esse turismo “salvador” são os templos de Angkor, que mostram para o mundo que o Camboja não tem só tragédias em seu passado.

Camboja (7)

Angkor, capital do extinto império Khmer que dominou a região entre os séculos 9 e 13, é um impressionante complexo de templos, palácios e estátuas  de granito encravado nas selvas do Camboja. O responsável por sua construção foi megalomaníaco rei Suryarvaman II ainda no século nove.

São 76 gigantescos palácios esculpidos de pedra por uma área de 100 km². Após a queda do império Khmer todo o complexo ficou oculto por 600 anos sob a copa das árvores, até que o naturalista francês, Henri Mouhot, o “descobriu” em 1861.

Camboja (4)

Após outro massacre, agora ao patrimônio histórico, o governo teve ajuda da Unesco para proteger o Angkor da ação de saqueadores e traficantes de obras-de-arte e agora o Camboja mostra orgulhoso para o mundo, em um verdadeiro museu a céu aberto, a sua verdadeira história.

Pasmem! O Angkor é o maior templo hinduísta do mundo, é a maior de todas as construções religiosas do planeta. Sua imensidão pode ser sentida ao caminharmos por seus corredores imaginando-os há 10 mil anos atrás e conhecendo toda sua história que está esculpida em baixo relevo nas paredes que contornam todo o Angkor Wat, o templo principal do complexo que levou 30 anos para ser construído, é a sede da cidade sagrada.

Outra imagem chocante são as dos templos de Ta Prohm. Durante os séculos de abandono as árvores dominaram as ruínas, e o que vemos é um espetáculo da natureza, raízes crescendo por cima das paredes e portais dos templos.

Não se sabe ao certo como o império caiu e o Angkor ficou abandonado por tanto tempo. A teoria mais aceita leva a crer que o Angkor cresceu tanto que não tinha escravos suficientes para mantê-lo, sucumbiu vítima de sua própria grandiosidade.

Apesar de um passado recente de conflitos a população do Camboja recepciona muito bem seus visitantes, são simpáticos e conversadores querem saber de tudo, e quando se fala no Brasil eles logo gritam “Ronaldo, Cafu e Roberto Carlos”.

Camboja (1)

DICAS PARA QUANDO VOCÊ FOR:

Como ir:

A melhor opção é entrar no Camboja por Siem Reap, o ponto de entrada para o Angkor, a cidade é estruturada com hotéis e aeroporto. Evite viajar por terra, as estradas são horríveis. Saindo de Siem Reap opte por ir de barco até a capital Phnom Pehn onde se pode conhecer um pouco da história dos conflitos civis do país e se tiver tempo vale a pena conhecer a pequena e tranqüila cidade de Sihanoukville no litoral a 4 horas de táxi da capital.

A South Africa Airways (www.flysaa.com) voa de São Paulo para Bangkok, na Tailândia, onde existem vôos diretos para Sien Reap.

O visto de entrada pode ser tirado no aeroporto de Siem Reap, custa U$20,00. Brasileiro não precisa de visto prévio na Tailândia.

Quando ir:

A melhor época de novembro a fevereiro, não chove e o calor é suportável, a temperatura oscila próximo aos 30°.

O que fazer:

Reserve pelo menos três dias para visitar o complexo Angkor, um passe de entrada para os três dias custa U$ 40,00, se hospede em Siem Reap, alugue um táxi-moto, conhecidos como Tuk-Tuk, a diária é negociada com o motorista e fica em média oito dólares.

Compre um mapa do Angkor e combine com o motorista do tuk-tuk para lhe pegar antes do amanhecer, o sol nasce por trás do Ankor Wat, principal templo, é algo indescritível.

Dinheiro:

Devido a desvalorização Riel, moeda Cambojana, o Dólar e o Bath, moeda da Tailândia, são aceitos normalmente.

Nunca esqueça: